domingo, 24 de fevereiro de 2008

Luz no fim do túnel (ii)

dois-cinco (inspirando), quatro-nove (expirando), sete-meia (inspirando), oito-meia (expirando).Tal era o telefone da casa da lindinha (M.), de onde vinha pedalando. Calma, vou sobreviver.É importante manter a paz e a confiança. Concentra na respiração: inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira... E assim desmaiava outra vez de fraqueza, até que voltei a ouvir ela dizendo: - Tá tudobem, amor. A gente táqui. Vai dar tudo certo. Confesso que a voz da Flor D'Ouro (M.) naquele momento era música soprando à alma.

Ela chegou com Elioni & Norman, pais dela que desde sempre me receberam e cuidaram super bem . Antes disso, os dizeres atenciosos e olhares desesperados do condutor da linha 2016 Mandala-Alvorada procuravam tranquilizar-me (ali era difícil dizer quem estava em estado de choque mais forte). Também havia outra voz suave, da Francilene - a passageira a quem havia dito aquele telefone da nossa casa M. - me falando que haviam chamado a defesa civil para me levarem pro hospital. Nessas idas e vindas de consciência, muitas coisas passavam pela memória. O engraçado é que tais lembraças faziam um estranho sentido peculiar.

Apenas acoradava e desmaiava sucessivamente, pois o sangue jorrava dramaticamente. Então as lições de primeiros-socorros via seriados televisivos ajudou-me a pedir um pano para estancar o sangramento. Aí o motorista Renato arranjou-o (relativamente limpo) até vir o Socorro. Tiraram me o capacete e colocaram o colar imobilizador no pescoço. Por alguma boa-sorte do destino, o médico na ocasião era cirurgião vascular - capaz de pinçar a única veia restante a fim de continuar a irrigação da mão. Naquele instante ignorava tais detalhes, porém faziam toda diferença. Nunca consegui agradecer devidamente esse capitão-bombeiro: Muitíssimo agradecido mesmo. E a voz da linda seguia me amando na parte da frente do Uéééónn-uéééónn-uéééónn.

Próxima parada: Hospital Miguel Couto. Essa parte passou bem rápido, ou teria descordado bastante?? (dêem seus palpites). Mas um detalhe foi passado em branco. Lá no túnel, quando a situação estava melhor, pedi pra ligar pra mi madre - a Mami - cuja recomendação principal (sempre) é volte inteiro do jeito que saiu. O jeito era dizer que o acidente parecia reprise das quedas em Araruama, onde passávamos o verão na época da infância. É claro que isso era um exagero às avessas, mas eu também tinha pouca idéia da gravidade do caso. Voltemos àquele hospital público, localizado na famosa Zona Sul carioca.

Apesar do estrago, me sentia bem. Conseguia mexer, ainda que pouquinho, todos os dedos da mão esquerda. Um grande alívio! Olhando para o teto doMiguel Couto, entre correrias, trocas de maca, entra-e-sais, me sentia seguro e bem tratado naquela hospitalidade*. Era estranho isso, pois muuitas vezes ouvira falar mal dali. Talvez seja relevante o fato de atender a elite sócio-econômica, uma vez que todas remoções devem ser levadas primeiro aos hospitais públicos. Bem, novamente, o que realmente importava é que me sentia melhor: são, lúcido e tranquilo. E tome passeio de maca pra sala de cirurgia. Essa parte é complicado de dizer as coisas...

*historicamente, a Ordem (monásquica-cavaleira) dos Hospitalários era encarregada de abrigar os perigrinos cristãos em viagem à Jerusalém. Tal qual outra famosa Ordem da época medieval, a dos Templários, aquela desempenhava um papel importantíssimo à segurança dos viajntes. Então ao descansar nesses primevos hospitais, as pessoas gozavam da hospitalidade dos mesmos. Bom, foi assim que aprendi. Faz sentido...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Luz no fim do túnel ( i )

Estava eu mimindo na nossa casa-M. ( de Marinoca, a outra parte de mim), quando decidi ir nadar. Há tempos atrás, quando fundimos nossos timos*, criamos um calor mais quente do que um milhão de sóis. E a fim de aproveitar o calor do verão, fui pra faculdade na qual estudo - um lgar muito bonito na Urca. Lá tem uma piscina muito gostosa onde, há alguns períodos letivos, aproveito para brincar de peixe Crawl, de borboleta-golfinho, de sapo-peito...

Agora , no verão de 2007até o dia 09 de fevereiro, estava participando do Curso de Verão - feito sob medida àqueles loucos por diversões físicas férias adentro. Pois bem, estava vindo lá de Copacabana-M. para o dito campus da "praia vermelha" da UFRJ. Vinha de BICICLETA. Desde que comecei a namorar a lindinha, essa magrela passou a ser cada vez mais o meio de locomoção preferido para escapar dos engarrafamentos e outras coisas mais (qualquer momento escreverei melhor sobre o assunto).

Iámos pra todo canto: eu, camelo com garrafinha d'água & capacete - o que algumas vezes gerava inconvenientes com a Namô (M.) - e já era quase uma característica identitária proutros:
Qual Tiago? - O Bahia, aquele que tá sempre carregando o capacete (passarinho) de bicicleta! - Ah, seiqualé...
Porém, ai porém, o caso diferente passava pelo túnel Novo - que liga Princesa Isabel em Copa com a Lauro Müller em Botafogo. Ali sucedeu o sucedido: uma van fechou um ônibus, cujo motorista desviou-se por reflexo e bateu na roda de trás da bicicleta que guiava. Mas eu não estava na ciclovia do lado esquerdo da pista, uma vez que haviam tentado me assaltar nesse corredor estreito - geral que pedala por lá sabe que é meio tenso passar por ali.

No entanto, a soberba testosteronal + arrogância do super-jovem cheio dos reflexos acreditava ser capaz de previnir acidentes corriqueiros. Embora os veículos normalmente entrassem no túnel jogando pra esquerda pra pegar a agulha no Rio Sul adiante (especialmente os ônibus), naquele dia tal pré-concepção era equivocada. Tava cedo e o tráfego intenso obrigava o uso completo das faixas de rolamento. Isso tudo pra dizer que a empáfia de achar estar sempre no lugar Mais seguro possível - ainda que às vezes isso significasse lugares expostos como entre duas mãos de ruas tipo das Laranjeiras - acabou dando no que deu!

Quanto mais alto semeia orgulho, mais forte é o vento da queda. Não vi nada. Não senti nada. Diante do trauma crítico, o corpo apagou-se por defesa. A consciência lembrável só foi acordar de baixo do omnibuds ( etimologia latina de ônibus siginificando paratodos) - acho que é assim a escrita... Zum, Zum, Zum. Só dava pra ver as sombras dos carros passando por debaixo das rodas do busão. A idéia principal ali era sair de embaixo-do-lado dele, pois caso batessem na traseira e o dito cujo partisse pra cima de mim seria o Fim corpóreo. Sim, quem havia sido atrpelada fora a bike, eu "apenas" havia sofrido alguns arranhões.

Desilusão, desilusãããão... Dancei ao ver o estado da patinha esquerda posterior - a mami (Patrícia) sempre me chamou de vira-lata, o que se mostraria uma grande ironia no futuro próximo - visto que parecia o filme Exterminador do Futuro II quando a mão do terminator resta na lava com apenas os cabinhos desnudos. Ou seja, a parada tava tensa para ca(pa)cete: apalmadamãotavatodamacerada,comsanguepulandopraforaeosdedosbastantemachucados. Mesmo agonizante, havia esperança de tudo dar certo. E assim desmaiava de novo...

* o timo é um "órgão" grandão quando a gente é criança e que diminui quando a gente vai crescendo. Ele fica pertinho do coração e é associado à bondade, ao amor e sentimentos congêneres em algumas culturas. Por isso gosto de dizer que a amo do fundo do timo quase que transbordante de alegria.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

De onde vim...

Era dia 7, sempre foi meu número da sorte. Faltavam 13 dias, número do dia em que nos beijamos pela primeira vez (e onde comemoramos muitos aniversário-mês). Juntos, somavam uma grande mudança em nossas vidas - pois iríamos enfrentar um novo mundo de dificuldades, felicidades, imprevistos, experiências...

Mas o mundo girou, ele sempre gira!! Só que dessa vez foi rápido demais. E nessa eu caí. Sobrevivi, um grade bem-querente ou, como dizem: "Deus escreve certo por linhas tortas". Deviam estar olhando por mim, eu estava devia estar protegido - pois foram apenas cascas pro que podia ter acontecido. Tá bom, foi mais grave que isso, mas nada que um caminhar confiante não pudesse lidar.

Certa vez li sobre o diagrama chinês para idéia de crise, cuja expressão se dava pela reunião de outros dois: Perigo & Oportunidade. Ou seja, momentos críticos poderiam gerar efeitos bastante distintos. Desse modo, cabe a lembrança de um filósofo-cientista relatividamente famoso na pérola: " Há duas maneiras de olhar a vida. Uma é acreditar que não existem milagres. A outra é acredita que tudo na vida é um milagre.

Preferi escolher esta segunda e agradecer plenamente o milagre oportuno da Vida. E aqui começamos uma nova estória existencial sobre um menino azul, com dedo verde, de timo quase transbordante de algria no caminhar em busca de Harmonia. Agora começa o "Era uma vez...